Conheça o Baralho Cigano

outubro 22, 2018

Tendo seu nome vinculado ao Povo Cigano e a Mademoiselle Marie-Anne-Adelaïde LeNormand ou simplesmente Mlle. Lenormand, uma famosa vidente e cartomante francesa do século XVIII (dita como a cartomante de Napoleão e sua esposa Josephine). O Baralho Cigano ou Petit Lenormand tem sua história cercada de lendas e misticismo e representa um dos baralhos de cartomancia mais vendidos e procurados. Seus símbolos encantam pela simplicidade e por seu caráter cotidiano: retratando uniões, litígios, temas celestes, personalidades diversas e símbolos comuns a vida na Europa da época.

Eis que surge a questão: de onde veio esse baralho? Inicialmente pensaremos no povo cigano, uma vez que o nome do baralho está atrelado aos nômades. Porém, se observarmos com cuidadosamente, notaremos que seus símbolos não refletem a cultura cigana e, partindo do princípio de que todo sistema simbólico traz em si características da cultura onde ele nasce, descartaremos essa origem.

Para que possamos compreender melhor esse pensamento, podemos observar alguns exemplos:
A “Carta 4 – A Casa” remete ao sedentarismo – o que é diametralmente oposto ao nomadismo da cultura cigana. As “Carta 27 – A carta” e “Carta nº26 – O Livro”, sinalizam uma cultura escrita, ao passo que os ciganos transmitem o seu conhecimento de forma oral.

A criação do baralho, é pois, creditada a Mlle Lenormand por distintas fontes. Contudo, não se encontra qualquer material escrito por ela. Em nenhum de seus 15 livros, há referências ao baralho (que só surgiu, três anos antes de sua morte). É sabido, no entanto, que Lenormand utilizava, em suas consultas, um baralho de cartomancia criado pelo ocultista parisiense Etteilla, denominado “petit etteilla”.
 
A associação do baralho aos ciganos veio por intermédio de um fabricante de cartas alemão e anônimo, do século XIX, segundo Giordano Berti, como estratégia de vendas. O baralho foi ainda associado ao nome de Mlle Lenormand. Quanto à vidente, não se tratou de acontecimento isolado, pois em 1828 foi editado um baralho de 52 cartas chamado “Sibila dos Salões” (forma como Mlle Lenormand se intitulava nos salões aristocráticos da época).

Esse mesmo baralho tem inestimável relevância para a cartomancia, já que dele, derivaram diversos baralhos cartomanticos europeus, como por exemplo: “O Oráculo Romântico”, “O Jogo do Destino”, “A Sibila Cigana”, “A Antiga Sibila Italiana” e, até mesmo, “Osibilia Lenormand” ou “Petit Lenormand”, o nosso baralho cigano.

Respondendo à pergunta, podemos dizer que o Baralho Cigano ou Petit Lenormand, nasce na Alemanha, por volta de 1840 e que seus símbolos seguem o que chamamos de “escola francesa”, através de influência das idéias de Etteilla. Possivelmente, foi criado por encomenda de algum fabricante de cartas, por um artista anônimo local, que se inspirou nos baralhos existentes da época.

No Brasil, o Baralho Cigano finda por penetrar nos cultos afro-brasileiros, mediante sua associação ao povo cigano, cultuado por esses segmentos religiosos. Ocorre que, em alguns casos, o significado de determinadas cartas é modificado, através da associação de suas imagens com suas deidades e seus símbolos correspondentes.

Como exemplo disso, temos a “Carta 21 – A Montanha” que, em seu sentido original, tem o atributo de um grande inimigo, uma barreira, um bloqueio. Todavia, no Brasil, o sentido da carta é relacionado à justiça e papéis, uma vez que a rocha representaria a pedreira, que faz referência ao orixá da justiça – Xangô.

Esse sincretismo cria o que podemos chamar de “escola brasileira”, já que encontramos uma variação enorme dos significados de algumas cartas, em relação ao original.

Na Europa ou no Brasil, independente da escola em que seja entendido, o Petit Lenormand se destaca e conquista todos, através da beleza de seus símbolos e sua objetividade nas leituras.
 

Por Alexsander Lepletier

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