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BARALHO CIGANO E TARÔ, QUAL A DIFERENÇA?

Cada oráculo tem características próprias, construindo-se e estruturando-se a partir dos símbolos que habitam o imaginário ou os mitos de um povo de forma que suas mensagens sejam transmitidas através de uma linguagem clara e que faça sentido.

Mesmo com todas as diferenças em suas simbologias, a sua função é a mesma: permitir-nos enxergar e entender a nossa vida e a nós mesmos através de uma perspectiva mais ampla. Mesmo havendo variações em seus símbolos, estrutura e técnicas; o seu propósito é sempre o mesmo, bem como os resultados. Meios diferentes para um mesmo fim.

Apesar desse questionamento também existir no Brasil, ganha mais força nos Estados Unidos. A ascensão do lenormand e encontrando-se nele uma maneira mais simples e objetiva de contato com o oráculo gerou a necessidade de um diferenciamento que muitas vezes excede os seus limites. Após ler alguns textos e participar de algumas discussões em grupos de estudo, resolvi preparar esse texto dividir com vocês.

Existe a falsa ideia de que o tarô mostra mais o lado psicológico e filosófico da vida, que fala mais subjetivamente, tendo muitas possibilidades de interpretação em contraste com a objetividade do lenormand que fala mais diretamente e sobre o dia-a-dia sendo mais voltado para a previsão e que suas cartas têm significados mais direcionados e não tão abrangentes.
Outro argumento é o de que os arcanos do tarô podem ser lidos sozinhos, pois darão respostas completas, enquanto o lenormand só funciona com combinações.

A diferença existe, mas não a esse ponto. Se fosse assim, teríamos que usar oráculos diferentes dependendo do tipo de pergunta feita! Incoerência total!

Primeiramente, tarólogo e cartomante fazem a mesma coisa.
Cartomante é aquele que lê a sorte nas cartas e o tarô é um baralho de cartas, portanto o tarô divinatório nada mais é do que uma variação da cartomancia, mais sofisticada, mas cartomancia.

O tarô tem um maior número de cartas que o lenormand somando 78 entre arcanos maiores e menores. Sua estrutura é mais complexa e seus símbolos também, possuindo cadeias simbólicas e obedecendo a um padrão que irá definir os seus significados. O mago precisa sempre estar com a varinha na mão esquerda, sendo erguida, a mesa em sua frente, etc. O mundo ter uma mulher envolta por uma guirlanda e quatro figuras nos cantos da carta, etc.

O que aconteceu com o tarô foi ter sido impregnado de conhecimentos esotéricos e sua ascensão se deu através da sua introdução no universo ocultista onde sofreu, pelos magos e ordens esotéricas dos séculos XVIII e XIX, uma releitura sendo reconstruído para conter e explicar suas doutrinas mágicas.

Outro momento importante foi a sua “psicologização”, outra releitura de seus símbolos que foram observados na ótica da simbologia e da psicologia analítica de Carl Jung e seus arquétipos.

Com isso toda uma linguagem própria foi desenvolvida e termos de ambas a áreas, ocultista e psicológica-simbólica foram incorporados ao universo do tarô torando seu entendimento mais denso. Sem falar que a linha ocultista promoveu a associação de outras áreas do saber (numerologia, astrologia, cabala) como forma de entendê-lo. Isso dificultou ainda mais o seu estudo fora desse universo.

Antes disso, o tarô não tinha nada de egípcio, nada de cabalístico nem nada de arquetípico. Ele era lido da mesma forma que o baralho cigano e as cartas de jogar. Respostas diretas e combinações de cartas. Seus símbolos eram familiares e faziam parte da vida das pessoas. Inicialmente eram feitos para a nobreza popularizando-se posteriormente, por isso retratam a realidade, primeiramente, a partir da visão dessa camada da sociedade. Tendo surgido no século XIV-XV, momento em que havia outra ordem social e com ela outra visão de mundo e outro imaginário, suas imagens eram conhecidas e compreendidas imediatamente tendo sido “cotidianas” naquele momento histórico. Por isso não podemos dizer que ele se reporta somente ao psicológico e subjetivo. O tarô também fala de questões práticas e mundanas tão bem quanto as espirituais ou filosóficas, até porque, antes do lenormand existir ele já estava aqui, e antes dessa nova moda ele já funcionava nas mãos de muitos tarólogos e taromantes orientando e esclarecendo todos os tipos de questões.

Já o baralho cigano ou petit lenormand, tem uma simbologia mais simples e um menor número de cartas, porém, nasce da mesma fonte que seu primo tarô: do imaginário e dos mitos retratando cenas do dia-a-dia, porém de a partir de outro viés, o do povo.

Sendo um oráculo muito jovem, pois tem cerca de 210 anos, não passou pelos mesmos processos que o tarô, estando livre para ser analisado sem a necessidade de nenhum conhecimento místico-esotérico ou teoria psicológica, tornando-se mais acessível e desenvolvendo uma linguagem mais direta e pessoal. Salvo o seu desenvolvimento no nosso país, onde passou por um processo similar ao seu primo quando foi introduzido nos cultos afro, sofrendo uma releitura que o reconstrói e entende a partir dessas religiões dando origem à Escola Brasileira.

Esse é um ponto interessante para ser comentado, pois grande parte dos esforços dos estudiosos e adeptos do petit lenormand lá fora é para preservá-lo de tal processo, mantendo-o simples e livre da necessidade de outro sistema simbólico ou escola iniciática para ser entendido ou explicado.

A questão da sua objetividade nas leituras e de ser “direto”, indo ao ponto sem grande esforço, se deve não só ao fato de sua simplicidade simbólica, mas por seus símbolos serem ainda vivos e reconhecidos no ambiente circundante. Eles são vividos e experienciados no dia-a-dia de forma que mesmo alguém que nunca tenha estudado ou praticado divinação com ele possa olhar e entender que o cão significa fidelidade, pois é o melhor amigo do homem.

O baralho cigano não precisa de intermediários nem de grandes estudos adicionais para ser entendido, daí ser tão preciso.

As palavras-chave ainda são tidas como fim e não como meio no universo lenormand. O fato de sua iconografia apresentar símbolos simples e a ausência de cadeia simbólica em suas cartas (a cegonha será sempre cegonha, independente de estar voando, no ninho ou comendo sapos no brejo), não o faz menos profundo em sua significação. Se, ao contrário do tarô, esses símbolos estão vivos e ativos em nosso imaginário, sendo representações de elementos da nossa realidade atual, encerram em si inúmeras possibilidades de interpretação, sendo ricos em seu simbolismo. Portanto, suas cartas também podem falar sobre questões mais elaboradas, profundas e subjetivas. A forma como serão entendidas e estudadas é que definirá o que e até onde elas falam.

É verdade que o lenormand foi feito para uma técnica específica de leitura, o grande jogo, porém, adaptações foram feitas e hoje pode-se aplicar a ele todos os métodos usados no tarô e demais oráculos. Outro ponto de dificuldade é a ausência de uma carta que represente trabalho em oposição a três que falam de vida afetiva. Para resolver esse conflito, cada região adota uma carta que represente o tema. No Brasil, os livros, para Sylvie Steibach, a rapoza, e para alguns americanos, a âncora.

Quem une os dois oráculos, fazendo-os “parentes” é o cartomante, tarólogo e astrólogo francês Jean Baptiste Alliette, mais conhecido como Etteilla, que viveu no século XVIII. Ele foi o responsável pelo ingresso do tarô nos meios ocultistas e, consequentemente, por sua popularização como oráculo. Antes de descobri-lo, Etteilla estudava e jogava cartomancia com cartas de jogar e escreveu um livro sobre o assunto (Etteilla ou manière de se récréer avec un jeu de cartes – 1770), ao mesmo tempo em que criou um baralho chamado “Petit Etteilla”. Além de numerar as cartas e inscrever nelas seu significado em pé e invertido escrito, Etteilla criou uma inovação que foi a carta do consulente.

Tão grande foi sua influência na cartomancia que a escola de Etteilla se destaca como uma variação da escola francesa e influencia os baralhos de cartomancia dos séculos XVIII e XIX como os parlour do qual fazem parte as sibilas e afins, incluindo o petit lenormand, que se sofisticam transformando a carta do consulente em duas: o homem e a mulher.

Resumindo: Tarô e lenormand apresentam diferenças estruturais e iconográficas, porém têm o mesmo alcance e eficácia na prática oracular sendo completos em si. O nível de precisão e profundidade de leitura é determinado pelo grau de conhecimento, habilidade e intuição do leitor.


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